segunda-feira, abril 19, 2010
Não é importante.
Mas o fato é que ela não conseguia não ter medo. Sim, ela tentava com todas as forças. Fechava os olhos e repetia em voz baixa pra si mesma que ia dar tudo certo....
Mas a verdade é que ela tinha mais que medo. Tinha aflição, apavoro. Suava frio, tremia de bater os dentes. Só de pensar na possibilidade de não dar certo. Ou seja, de dar errado. De ser um desastre.
"Vão rir de mim" ela pensava insistentemente antes de dormir. Ela não. A sua cabeça que cismava em não parar de pensar, raciocinar, projetar, divagar. Maldição de mente inqueita e teimosa.
E ela virou de um lado pro outro, minuto após a minuto até de manhãzinha. O lençol saiu da cama, deixando sua pele encostada no colchão, e ela detestava isso. Sentou ereta, apoiou as mãos na cabeça e chegou a uma conclusão.
"Não é importante".
E se não é importante..............
terça-feira, março 30, 2010
turnê.

sexta-feira, março 05, 2010
sexta-feira, janeiro 29, 2010
dentro dela.

Ela chorou por oitenta e dois minutos ininterruptos.
Queria ficar vazia daquela dor tão nova e tão cinza.
Desejou não ser ela.
Queria ser qualquer outra coisa ou pessoa porque, ser ela naquele momento, lhe destroçava o estômago.
Pensou no sorriso que era tão seu, aquele sorriso que era tão instintivo e tão verdadeiro. Sentiu saudades. Onde ele havia se perdido? Talvez só estivesse escondido, com medo de aparecer.
A leveza não estava lá, tampouco a doçura que lhe preenchia há dias atrás. Ela ansiava o silêncio, mas não conseguia calar sua alma.
Ela fechou os olhos e entendeu que palavras podem machucar mais que uma surra.
Sim, ela havia sido espancada ferozmente. E logo apareceriam os hematomas. Porém, ela torcia que eles não virassem cicatrizes.
Deitou a cabeça sobre os joelhos e tentou sentir um pouco de raiva. Mas não conseguia. Dentro dela, no vazio, misturavam-se a dor e o amor. Só.
quarta-feira, novembro 04, 2009
de novo sobre liberdade. sobre liberdade sempre.
segunda-feira, outubro 05, 2009
why?
Por que tem gente que faz o que não ama e fica rico?
Por que é tão difícil?
Por que tem gente que não dá valor pro que a gente ama fazer?
Por que tem gente que vê só glamour onde tem também muito sofrimento?
Por que acham que você só "é"se tiver "lá"
quinta-feira, setembro 17, 2009
Alice

Chovia muito, mas Alice parecia não perceber. Talvez porque confundia suas lágrimas com aquela água do céu que não parava de cair.
Indagou-se se o céu chorava com ela. Mas não conseguia ter certezas nem respostas.
Alice nunca gostou de guarda chuva. Sempre lhe agradou o molhado que a chuva deixa na curvinha do pescoço. Quando pequena preferia sua capa de joaninhas a segurar aquele apetrecho tão estranho e grandalhão.
E hoje, especialmente, Alice queria sentir a chuva, pra ver se ela levava embora a dor que estava sentindo.
No fundo, Alice sabia que nem um dilúvio nem ninguém poderia lhe arrancar aquela angústia. E tinha medo que acabassem levando embora grudado, por engano, as lembranças que ela não queria ver partir.
Alice sentia-se imensamente sozinha. Mas preferia assim. Não conseguiria dividir seu vazio com ninguém, tampouco queria tentar esquecê-lo. Não agora.
Alice perguntou-se o que iria acontecer. Perguntou-se o que faria. Perguntou-se por que. Por que. Por- que. Porque....
Alice deitou a cabeça nas pernas e ficou assim por alguns instantes, que pareciam uma eternidade. Sentiu um carinho no seu ombro esquerdo e levantou os olhos. Uma borboleta amarela pousava pacificamente nela. Alice não tentou entender o que ela fazia ali, debaixo daquela tempestade. Apenas lhe deu abrigo próximo ao seu ventre para passarem o resto da madrugada juntas, imóveis e em silêncio.
