sexta-feira, março 05, 2010
sexta-feira, janeiro 29, 2010
dentro dela.

Ela chorou por oitenta e dois minutos ininterruptos.
Queria ficar vazia daquela dor tão nova e tão cinza.
Desejou não ser ela.
Queria ser qualquer outra coisa ou pessoa porque, ser ela naquele momento, lhe destroçava o estômago.
Pensou no sorriso que era tão seu, aquele sorriso que era tão instintivo e tão verdadeiro. Sentiu saudades. Onde ele havia se perdido? Talvez só estivesse escondido, com medo de aparecer.
A leveza não estava lá, tampouco a doçura que lhe preenchia há dias atrás. Ela ansiava o silêncio, mas não conseguia calar sua alma.
Ela fechou os olhos e entendeu que palavras podem machucar mais que uma surra.
Sim, ela havia sido espancada ferozmente. E logo apareceriam os hematomas. Porém, ela torcia que eles não virassem cicatrizes.
Deitou a cabeça sobre os joelhos e tentou sentir um pouco de raiva. Mas não conseguia. Dentro dela, no vazio, misturavam-se a dor e o amor. Só.
quarta-feira, novembro 04, 2009
de novo sobre liberdade. sobre liberdade sempre.
segunda-feira, outubro 05, 2009
why?
Por que tem gente que faz o que não ama e fica rico?
Por que é tão difícil?
Por que tem gente que não dá valor pro que a gente ama fazer?
Por que tem gente que vê só glamour onde tem também muito sofrimento?
Por que acham que você só "é"se tiver "lá"
quinta-feira, setembro 17, 2009
Alice

Chovia muito, mas Alice parecia não perceber. Talvez porque confundia suas lágrimas com aquela água do céu que não parava de cair.
Indagou-se se o céu chorava com ela. Mas não conseguia ter certezas nem respostas.
Alice nunca gostou de guarda chuva. Sempre lhe agradou o molhado que a chuva deixa na curvinha do pescoço. Quando pequena preferia sua capa de joaninhas a segurar aquele apetrecho tão estranho e grandalhão.
E hoje, especialmente, Alice queria sentir a chuva, pra ver se ela levava embora a dor que estava sentindo.
No fundo, Alice sabia que nem um dilúvio nem ninguém poderia lhe arrancar aquela angústia. E tinha medo que acabassem levando embora grudado, por engano, as lembranças que ela não queria ver partir.
Alice sentia-se imensamente sozinha. Mas preferia assim. Não conseguiria dividir seu vazio com ninguém, tampouco queria tentar esquecê-lo. Não agora.
Alice perguntou-se o que iria acontecer. Perguntou-se o que faria. Perguntou-se por que. Por que. Por- que. Porque....
Alice deitou a cabeça nas pernas e ficou assim por alguns instantes, que pareciam uma eternidade. Sentiu um carinho no seu ombro esquerdo e levantou os olhos. Uma borboleta amarela pousava pacificamente nela. Alice não tentou entender o que ela fazia ali, debaixo daquela tempestade. Apenas lhe deu abrigo próximo ao seu ventre para passarem o resto da madrugada juntas, imóveis e em silêncio.
sexta-feira, agosto 28, 2009
ai que preguiça.
Ai eu sei que tem gente que sabe do que tô falando!
Pode ser uma gordura localizada que só você vê. Pode ser uma atitude de alguém. Pode ser a voz de um desconhecido. Pode ser uma mania. Enfim... aquilo que parece tão pequeno e insignificante pra terceiros as vezes é um tormento gigantesco pra gente.
Aí a raça te chama de exagerada, de dramática, de chata. Tá, como diz uma grande amiga minha... "eu sei que eu sou chata", mas as vezes não é isso. É que a coisa incomoda muiiiiiiiiiiiiiiiiiiitoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo mesmo.
E quando a gente não vê saída pra resolver?
E quando a gente não tem dinheiro pra resolver?
E quando a gente não tem estômago ou paciência pra resolver?
E quando não há solução?
ai que preguiça.
sexta-feira, agosto 21, 2009
sobre tudo e sobre nada.
Mas acabava começando, desistindo, adiando, "empreguiçando".
Aí a Manu (uma coisa querida demais que apareceu na minha estradinha) me mandou um textinho agora daqueles que pra algumas pessoas não diz nada e pra outras diz tudo.
Pois pra mim, ele disse tanto!
"Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver..." [Ana C. Jácomo]
Cada frase me fez lembrar alguns seres especiais que moram no meu coração. Me fez sorrir, sentir saudade, brilhar o olho e suspirar.
Me fez pensar como eu queria estar perto do Boi, que faz aniversário amanhã, e ao mesmo tempo sorrir porque eu, de alguma forma, estou.
Me fez lembrar como a presença de algumas pessoas faz curar a alma. E como cada um tem seu cheiro, sua cor e seu sabor.
E entre cólicas e caos, lágrimas e gargalhadas eu tenho novamente algumas certezas....
