sexta-feira, maio 29, 2009

a vida é minha.

Minha vida.
Não é nossa vida, a vida da raça, a vida da gente, a vida de todos, a vida do povo.
Não, é minha mesmo. Uma das poucas coisas que é só minha, que eu não posso vender nem emprestar. Minha. Só eu cuido, só eu escolho o que faço dela, só eu vivo. Afinal, a vida é minha.
Incrível é que tem gente que não consegue entender isso, e que quer cuidar de várias outras vidas.... será que só a própria vida já não dá trabalho demais?

Minha vida pode até parecer um sitcom as vezes.
Mas ela definitivamente não é novela pra ser acompanhada.
Mania que as pessoas tem de cuidar da vida do outro!
Eu não vou me fazer de santa e dizer que nunca dei uma espiadinha no orkut alheio, que não curto uma fofoca, que bla bla bla. É claro que sim, é natural do ser humano, e quem diz que não faz é mentira.
Mas aí em acompanhar e ficar julgando a vida alheia já é demais.
Tenho tanta preguiça.
As vezes eu fico pensando que devo ser muito mais legal do que eu penso ser. Que de fora, minha vida deve ser muito mais interessante do que realmente é.
E se a minha vida for ma-ra-vi-lho-sa, porque as pessoas não tratam de fazer as suas ficarem coloridas também, em vez de ficar agorando a do outro pra ficar preto e branco???

É muito fácil julgar alguém. Extremamente cômodo. Criticar a fulana porque ela perdoou ciclano, achar uó que a outra deixou os filhos com o marido e foi dançar e bla bla bla. É otimo destilar veneno.. porque não é em cima do nosso umbigo.
Julgar, criticar e inventar coisas sobre a vida alheia é tão bacana porque olhar pra nossa própria vida não é tão simples assim. A gente começa a descobrir um moooonte de coisas. E tem gente que simplesmente prefere não ver. E aí o jeito é ficar jogando lixo no quintal do vizinho.

"Quem cuida da língua preserva o coração da angústia".

segunda-feira, maio 25, 2009

EU. VOCÊ. ELA. A MÃE.


Opa ;)



quero dividir com vocês e divulgar um blog novo, meu e da Luciana Holanda:





trata-se de um blog sobre o processo de montagem do nosso espetáculo. Um monólogo.....


Quer saber mais? Vai lá...





quarta-feira, abril 15, 2009

Catarina, uma taurina.


Catarina era taurina. Ela não sabia o que isso significa, mas sempre ouvia sua mãe dizer para a vizinha...“Catarina tem esse gênio porque é de touro... e com a lua em sagitário, pra completar”.

Catarina, sempre que ouvia aquilo, tentava buscar explicações pra fala da mãe. Mas a menina só tinha cinco anos. E com cinco anos ela não conseguia entender o que diziam os livros, mesmo já sabendo que os livros geralmente são donos de algumas respostas.

Sobre ela mesma, Catarina sabia apenas algumas coisas. Que tinha uma mão cheia de idade, que gostava de comer sorvete com calda de chocolate, que tinha uma mãe e um pai que não moravam juntos, mas mesmo assim eram seu pai e sua mãe para todo o sempre. Sabia que cachorros devem ficar no quintal, que não se pode sujar o chão com tinta guache, que a noite se dorme e de dia se brinca, que uma pessoa pode chorar de tristeza ou de alegria e que os adultos sabem ser muito esquisitos as vezes. É... até que Catarina sabia bastante coisa. Mas sobre ser uma taurina.....

Ela começou a pensar compulsivamente sobre o assunto, sempre deitada de barriga pra cima, olhando pro alto, enquanto contava e recontava quantos azulejos tinha o teto. Começou a desconfiar então que ela não era humana. Sim, pois se ela era de touro, talvez fosse um touro filhote disfarçado de humana, ou então um filhote touro sendo criado por humanos! Isso lhe colocava um baita frio na espinha... mas essa hipótese não a convencia pois quando ela se olhava na banheira percebia que era igualzinha a todas as meninas da sua rua. E sagitário então? Ela nem sabia que bicho ou coisa era essa...

O que deixava Catarina mais atônita é que ela não tinha idéia se ser taurina era bom ou ruim. Às vezes sua mãe falava isso sorrindo, mas outros dias falava de forma que sua ruga da testa ficava saliente, e aquilo não era um bom sinal.

Quando Catarina fez seis anos, não agüentou. Finalmente desistiu de mirabolar idéias e perguntou pra sua mãe porque ela era uma taurina.
A mãe enrolando brigadeiros com a maior pressa do mundo respondeu: “ Porque você nasceu hoje Catarina, hoje é dia do seu aniversário, dez de maio. Então você é uma taurina”.

A mãe disse aquilo como se fosse a coisa mais evidente e simples do mundo, mas para Catarina aquelas palavras ficaram se esbarrando dentro da cabeça, de um lado pra outro, pra cima e pra baixo.
“E você mamãe, também é taurina?”, perguntou a menina com os olhos cobertos de ansiedade.
“Não Cata, sou leonina, nasci em agosto”, finalizou a mãe, com um meio sorriso no rosto.

E então Catarina, juntando todas as informações que conseguiu colher nos últimos tempos, finalmente percebeu que era tudo muito simples. Havia enfim desvendado que quem nasceu em maio foi trazido até seus pais por um touro, talvez até vários deles. E que quem nasceu em agosto foi trazido do céu (ou seria da selva) por um leão! Assim como tem gente que é trazido por uma cegonha, ela tinha sido trazida por um touro, o que lhe parecia até mais divertido.

É verdade que Catarina ficou ainda um pouco receosa, em dúvida acerca da veracidade de sua descoberta, mas o alívio de achar uma resposta era maior que qualquer coisa.
“E nos outros meses... quem trás?”, pensou curiosa a menina. Ah, mas no fim das contas isso não importava agora, pois afinal ser uma taurina começava a fazer sentido para Catarina. Contudo, ela agora precisava partir para uma nova etapa de sua batalha: achar uma pista sobre que diabos a lua estava fazendo em sa-gi-tá-rio, que não estava no céu, quando ela chegou ao mundo....

segunda-feira, abril 06, 2009

Uma janela para o universo.

- As vezes esqueço de viver.

- As vezes quando se vive é bom esquecer.

- (...)

- Uma vez realizei um sonho, mas esqueci.

- O amanhã em que você sonha, agora é hoje. Talvez por isso você esqueceu.

- Você deve ser como eu. As vezes quando sonho, esqueço de me acordar. Por isso não há como lembrar.

- Acho que é mais do que isso. Enquanto planejo, tudo passa. Por isso não há o que lembrar.

- Se eu não lembrasse, não teria saudades.

- Tenho saudades de casa, tenho saudades de tudo.

quinta-feira, março 26, 2009

m.u.d.e.




Sofia olhava atenta o álbum de quando era pequena, digo, muitíssimo pequena, porque Sofia só tem três anos. Apontou uma foto tirada no dia em que nasceu e perguntou, admirando os olhos azuis de sua mãe:
-Mamãe, quem é essa?
- É a dinda, Sofia!
- A dinda?!? (provavelmente com uma daquelas caras de interrogação incrivelmente espirituosas que só ela sabe fazer...)

Achei muito engraçado o fato de ela me achar tão diferente ao ponto de nem me reconhecer. Claro que nesse caso, isso tem a ver com o corte do cabelo, o emagrece- engroda, etc e tal.
Mas aí, isso me fez parar pra pensar como eu mudei. Como eu tenho mudado e como eu quero mudar tanta coisa ainda. Às vezes tenho a impressão de que quanto mais a gente muda, mais vai vendo o quanto ainda tem pra mudar...
Ô!
“É preciso mudar muito pra ser sempre o mesmo”, já diria uma grande melhor amiga.
E é.

Mas não é fácil mudar, principalmente quando a mudança está ligada a hábitos. Demora. E muito, algumas vezes. Não é fácil mudar, porque mudar pressupõe que você vai chegar novamente ao desconhecido, ao novo, e isso, apesar de poder ser bastante excitante, assusta um bocado.

E aí vem comentários/opiniões variadas do tipo: Como você mudou! (em tom básico, averiguando que você realmente mudou); ou: Ai, como você mudou, ta tão chata, era bem mais legal antes (nesse tom aí que você leu); ou quem sabe: Tá diferente, mudou o que? Hum... não sei, mas ta bacana. (num tom de descoberta, por vezes com um sorriso) E por aí vai......
E Caio Fernando soprou agora no meu ouvido...
"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado".
E é.

Não adianta... nem sua melhor amiga, nem sua família, nem seu travesseiro jamais terá a real noção de tuuuuuudo que passou dentro de você durante esse “processo”. E a gente até pode tentar falar, postar um texto sobre isso, ir na psicóloga, sei lá... mas não adianta: quando a gente muda de verdade, só a gente sabe como é.



terça-feira, março 17, 2009

o seu olhar......


O seu olhar lá fora

O seu olhar no céu

seu olhar demora

O seu olhar no meu...


O seu olhar seu olhar, melhora melhora o meu...


Onde a brasa mora

e devora o breu

Como a chuva molha

o que se escondeu


O seu olhar seu olhar melhora, melhora o meu...


O seu olhar agora,

o seu olhar nasceu,

o seu olhar me olha,

o seu olhar é seu...


O seu olhar seu olhar, melhora melhora o meu...

quarta-feira, março 04, 2009

O mar de Beatriz.


Beatriz foi à praia na esperança de encontrar respostas.


Sentou em frente ao mar, num lugar mais vazio do que ela mesma. Afundou lentamente os pés na areia morna daquela tarde de primavera.


Tentou relembrar porque ficara tanto tempo longe daquele, que era pra ela tão importante. O mar é, pra Beatriz, como um tipo raro de amigo. Aquele que trás paz pelo simples fato de existir.


Suspirou e fechou os olhos pra ouvir melhor aquele som quase silencioso. Por um instante, quis ficar ali pra sempre. E então suspeitou que não estivesse vazia, e sim, abarrotada.


Deitou espalhando seus cabelos com cheiro de jasmim na areia. Esta lhe acariciava a bochecha. Já Beatriz apertava-a com as mãos bem cerradas, tentando inutilmente deixá-la mais fina do que já era.


Ficou ali imóvel por um momento. Não tinha idéia de quanto tempo passara, mas isso não importava agora, afinal todos os dias Beatriz encontrava um conceito novo pra tentar entender o tempo.


Em um salto ela ficou de pé e se pôs a dançar. Sem ritmo, sem técnica, sem buscar nada. Beatriz só precisava dançar. Girou com tanta verdade que só parou quando caiu de ombros dentro da água.


Riu e chorou. Tudo junto, na mesma intensidade. E assim, mergulhada no mar, Beatriz foi esvaziando, lentamente. Cada lágrima - com ou sem sorriso - que se misturava na água salgada era um espaço ressurgindo dentro de si.


Beatriz então se deparou com uma resposta. As perguntas eram inúmeras, é verdade, mas aquela resposta lhe bastava por hora. E foi naquele dia que ela finalmente percebeu que jamais esteve sozinha. E que, ao contrário do que ela sempre acreditara, não era o vazio que tanto lhe importunava, e sim, o excesso.